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segunda-feira, 22 de junho de 2009

Homenagem ao meu Pai Nelson Lopes

Pai, essa é uma homenagem ao senhor pelo seu aniversário (15 / 06 / 2009).
Parabéns, felicidades e sucesso, hoje e sempre!
A Voz do Pai
O pai em casa era uma autoridade. Dizia o que podia e o que não podia. Determinava o certo e o errado. A voz do pai era uma voz sagrada. Grave e pausada, para dar conselhos; firme e bem forte para passar as ordens. A voz do pai sabia contar causos. Causos que ouvira seu pai contar. Era uma vez... E lá vinha uma história com bichos que falavam, gente que voava, magos poderosos e casas assombradas. E a gente, tão criança e inocente, galopava na garupa da imaginação. Quanta emoção a voz do pai no transmitia. À mesa, hora da janta, ninguém se servia antes de ouvir o pai, rendendo graças. E a família, olhos fechados, ao fim arrematava com um amém. E os versinhos que o pai dizia. Ninguém sabia tanto quanto ele. E ás vezes... Ás vezes o pai cantava, e o pai cantando era a cantiga mais linda que ouvi. Modinhas, hinos, ternos e a filharada faziam coro, e cada um com sua voz, queria imitar a voz do pai. A voz do pai tocava os bois na canga, chamava o cavalo no potreiro e atiçava os cachorros nos gambás. E os bichos... Até os bichos lá de casa conheciam e obedeciam aquela voz. A voz do pai tinha hora pra tudo: para dar uma risada de um causo bem contado ou pra ralhar se a gente desleixava. Barbaridade! Quando aquela voz trovejava uma ameaça fazia a gente estremecer de medo. Talvez fosse melhor dizer: respeito. A voz do pai só nunca soube se queixar de nada. Gemer até podia se a dor era muita. Chorar até podia pelo sentimento. Mas um queixume, uma lamúria ou maldição, isso jamais se ouviu da voz do pai. Alapucha! Parece que foi ontem... É tão viva a lembrança que ainda escuto a tua voz, meu velho. E às vezes quando falo com meu filho, dou rédeas ao sentimento e o som que sai, me faz o coração escaramuçar no peito, pois ouço de mim mesmo, a voz do pai.